terça-feira, 20 de outubro de 2015

Do alto.

Lá fora, no alto, um alguém para encontrar, um segredo, tudo se vê. 
Lá longe, bem do alto, águas caem, com cheiro de flores, nuvens cinzas. 
Um preço alto, pequenos atos, desapego ao preço. 
Lá bem longe, de perto, virado, sem espaço, com muito tempo no ar. 
Bem ali, logo ali, um gigante de aço, frágil e forte, um coração de carne, um apego imenso. 
Súbito, impacto, forte. 
Chamem todos, vejam, lá vem, do alto. 


Little man on the moon, can I pay you a visit?
Things are hard right now; I’m in need of your spirit.
I know the stars in the sky will reply with advice.
And on my walks in the dark, you always seem quite nice.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Um espasmo.

Em um mundo, onde se vê vários outros mundos, virados de cabeça para baixo, nada se prende no chão, mas cai, como se a força da gravidade o puxasse para cima. Num mundo em que nada se entende nem se compreende, repleto de magia, e de coisas estranhas. Nas entranhas do núcleo da terra. Se esquenta e nem se aparenta. Não é de fora para dentro, e sim de dentro para fora. Um grito, um espasmo, um susto, um estalo, um despertar, um acordar. Surge então a vontade de espreguiçar, de bocejar, de querer sair e não se sustentar no caminhar, que leva, à vida.  

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Pronomes.

Percebemos então que o pseudônimo "eu" prende-se dentro de um espelho sem espessura nem tamanho que o possa definir. Espelho da vida que reflete sobre os olhos, o vazio de dentro do coração, e de uma mente totalmente cheia e transbordante de pensamentos vãos que sem perceber é visto como uma obra de arte. Vê-se reflexos que exalta o mais profundo ser do teu eu. Reflexos que ressalta os traços mais fortes do centro de uma pessoa. Preso num espelho que ao se olhar não consegue se enxergar, por sua visão estar tampada. Espelho esse que grita para que ele se afaste ou fale, que nos chama para quebrá-lo, para que os outros entendam que quem se prende são eles. 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Crescer.

A cada novo dia eu cresço, cresço para baixo, para que eu não venha cair quando crescer para cima. Cresço pro menos para que quando crescer para mais, saiba somar, e não subtrair com minha auto-suficiência. Cresço todos os dias para que não venha deixar que um novo dia não deixe de ser dia de crescer. Cresço para não diminuir, cresço para que alguém possa crescer. Cresço para simplesmente não ficar menor, em minha razão ou emoção. Cresço para que alguém cresça em mim. 


Eu não sei.

Eu nem sei por onde começar, nem por onde terminar.
Não sei por onde ir, ou pra onde ir.
Não sei por onde chegar, ou até mesmo, como chegar! 
Me pergunto como posso tentar, se nem sei como tentar.
Não sei como posso fazer se não sei o que fazer.
Penso comigo como posso ser, sem nem mesmo saber quem sou.
Se isso tudo é mutável, se isso realmente se transforma.
Se tem como eu alcançar sem partir.
Se tem como chegar ao fim de uma jornada sem saber como começar essa jornada. 
Cruzamos caminhos na buscar de nos encontrarmos, e sem perceber, não nos percebemos.

E isso tudo se passa, tudo chega a um ponto em que não entendemos porque chegamos, só chegamos. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Um papel em branco.

Em um intervalo de espaço de tempo, supera-se toda a dor, supera-se todo o ardor, todo teor do medo. Não é o tempo, é o intervalo, um rabisco no meio do nada, ou, de tudo. Uma folha em branco, onde não consegue-se enxergar nem o inicio e nem o fim, mas, bem no meio um traço em tinta preta. A superação, a recuperação ou até mesmo a cicatriz. Uma onda imensa se emergindo no meio do nada, um caos trasbordando no meio da paz. O tempo não é a solução, o tempo é a construção, a reconstrução. Solucionar através do tempo, parecem próximos, mas estão distantes. O que transcende o superar no tempo, é a decisão, de riscar um papel em branco. 



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Horizonte

Tem um horizonte lá em baixo, um vale da fonte, a onde nada se esconde, nada some. Tudo transparece, onde se respira o puro, onde não se sente inseguro. Daqui de cima vejo, subi para entender melhor. É uma represa, presa por muros fortes. Nada sai, mas tudo pode entrar, onde tudo pode melhorar, se revigorar, se vivificar.


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