quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Monstro.


Nasci em 13 de outubro de 1496. Meu nome é Louis Pierre e nasci na frança, era mercador e bastardo. Cresci com certos problemas, e me dei conta de que a vida não era tão generosa comigo. Olhava-me no espelho e centrava no vazio dos meus olhos, e no rancor que se sobrecarregava sobre a pele de meu rosto. Sorri, sonhei e chorei. Chorei, sorri e alegrei-me. Martirizava-me e sufocava minha própria alma vendo que não era bom que eu ficasse por perto de pessoas normais. Andava cansado e cabisbaixo por entre as ruas buscava afagar minha raiva e minhas dúvidas aos bares da cidade. 
Passeava pela chuva na esperança de que um dia eu pudesse me lavar dos olhos sanguinários de desprezo dos clientes e visitantes da corte.
Os anos se passaram e fui tomado por orgulho como se um copo se enchesse com água por uma criança com sede. Eu já olhara no espelho e via não mais um olhar vazio, mas via o reflexo do meu coração endurecido, me tomei por um sorriso maquiavélico, e vi que então nasci para ficar sozinho. 
Andava muitas vezes descalço pela lama, e então vi que estava calejando também meu corpo, e então fui me tornando um monstro, mas não por causa da minha aparência que havia com os anos se acabando, mas por que eu fui escravo da vida e julgado como um cão. Envolvi-me nos meus próprios pesadelos e matei meus sonhos como se fosse uma criança indefesa. 
Em um final de tarde, aos longes vi montanhas e o sol se escondendo desse mundo perverso, estava sentado sozinho, pensando na melhor forma de acabar com minha própria vida. Então quando estava acabando minha segunda garrafa de vinho, vi de vestido longo, cabelos negros e com uma voz suave me dizendo. "Esse não é você". Foi como se eu tivesse voltado aos meus momentos de reflexo ao espelho. Ela então me deu a mão e não falara mais nada. Senti seu respirar e sua voz e aos poucos enturmando querendo saber quem eu era. 
Assustei-me com sua forma mansa e humilde de conversar. Nunca ninguém tinha esse desprazer de conversar comigo, muito menos uma mulher. Aos poucos fui me levando pela vontade de sorrir, eu estava bêbado, não conseguia ficar um segundo se quer sem dizer que ela era linda. Ela sorria e dizia que eu era louco... Talvez fosse.

Sem perceber dormi naquele mesmo local e aquele momento sem nexo ficou na minha cabeça. Passou dias e eu não a esquecia, sem saber seu nome, de onde era, o porquê de estar naquele local... Mas eu tinha descoberto que meu reflexo não era sobre mim, mas sobre as pessoas. Como elas são, e que não devia me matar por elas, mas viver por mim... Eu era um monstro.

              -Jhuan Neuber-

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