Nasci em 13 de outubro de 1496. Meu nome é Louis Pierre e nasci na
frança, era mercador e bastardo. Cresci com certos problemas, e me dei conta de
que a vida não era tão generosa comigo. Olhava-me no espelho e centrava no
vazio dos meus olhos, e no rancor que se sobrecarregava sobre a pele de meu
rosto. Sorri, sonhei e chorei. Chorei, sorri e alegrei-me. Martirizava-me e
sufocava minha própria alma vendo que não era bom que eu ficasse por perto de
pessoas normais. Andava cansado e cabisbaixo por entre as ruas buscava afagar
minha raiva e minhas dúvidas aos bares da cidade.
Passeava pela chuva na esperança de que um dia eu pudesse me lavar
dos olhos sanguinários de desprezo dos clientes e visitantes da corte.
Os anos se passaram e fui tomado por orgulho como se um copo se
enchesse com água por uma criança com sede. Eu já olhara no espelho e via não
mais um olhar vazio, mas via o reflexo do meu coração endurecido, me tomei por
um sorriso maquiavélico, e vi que então nasci para ficar sozinho.
Andava muitas vezes descalço pela lama, e então vi que estava
calejando também meu corpo, e então fui me tornando um monstro, mas não por
causa da minha aparência que havia com os anos se acabando, mas por que eu fui
escravo da vida e julgado como um cão. Envolvi-me nos meus próprios pesadelos e
matei meus sonhos como se fosse uma criança indefesa.
Em um final de tarde, aos longes vi montanhas e o sol se
escondendo desse mundo perverso, estava sentado sozinho, pensando na melhor
forma de acabar com minha própria vida. Então quando estava acabando minha
segunda garrafa de vinho, vi de vestido longo, cabelos negros e com uma voz
suave me dizendo. "Esse não é você". Foi como se eu tivesse voltado
aos meus momentos de reflexo ao espelho. Ela então me deu a mão e não falara
mais nada. Senti seu respirar e sua voz e aos poucos enturmando querendo saber
quem eu era.
Assustei-me com sua forma mansa e humilde de conversar. Nunca
ninguém tinha esse desprazer de conversar comigo, muito menos uma mulher. Aos
poucos fui me levando pela vontade de sorrir, eu estava bêbado, não conseguia
ficar um segundo se quer sem dizer que ela era linda. Ela sorria e dizia que eu
era louco... Talvez fosse.
Sem
perceber dormi naquele mesmo local e aquele momento sem nexo ficou na minha
cabeça. Passou dias e eu não a esquecia, sem saber seu nome, de onde era, o
porquê de estar naquele local... Mas eu tinha descoberto que meu reflexo não
era sobre mim, mas sobre as pessoas. Como elas são, e que não devia me matar
por elas, mas viver por mim... Eu era um monstro.
-Jhuan Neuber-
-Jhuan Neuber-

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